Friday, February 6th, 2026

O Legado de Ethan Hunt: Por que Missão: Impossível se Tornou a Maior Saga de Ação do Cinema

O que começou em 1996 como uma aposta de Tom Cruise para levar uma série clássica dos anos 60 para as telonas acabou se transformando em um fenômeno cultural sem precedentes. Em 2024, a franquia celebra 28 anos de existência com sete filmes na bagagem e um oitavo capítulo — que muitos especulam ser o último, embora nada tenha sido cravado oficialmente — já despontando no horizonte. Sob o comando de Cruise, que exerce um controle autoral raríssimo em blockbusters, a série alcançou um patamar de consistência que deixa para trás gigantes como Star Wars, Indiana Jones e até 007. Enquanto outras sagas tropeçam em sequências esquecíveis, Ethan Hunt parece apenas melhorar com o tempo.

O nascimento de um ícone e o toque de Hitchcock

A jornada começou com a visão estilizada de Brian De Palma. O primeiro Missão: Impossível (1996) não era apenas um filme de ação; era um suspense de espionagem elegante que remetia à era de ouro do gênero. De Palma, mestre do suspense, injetou influências de Alfred Hitchcock em uma trama repleta de reviravoltas e invasões silenciosas. Quem não se lembra da mítica cena de Hunt suspenso por cabos em uma sala branca? Mesmo que a tecnologia daquela época pareça datada hoje, a direção é tão precisa que o filme permanece atual. Naquele ano, Cruise consolidou seu poder em Hollywood ao estrelar tanto este longa quanto Jerry Maguire, um feito de onipresença que raramente vemos hoje em dia.

A reinvenção e a chegada de vilões memoráveis

Após uma sequência que dividiu opiniões, a franquia encontrou seu rumo definitivo em 2006 com Missão: Impossível III. Foi a estreia de J.J. Abrams na direção de cinema, e ele provou seu valor ao humanizar Ethan Hunt. Ao introduzir uma esposa para o protagonista, o filme deu peso emocional às missões. Mas o grande trunfo aqui foi Philip Seymour Hoffman. Com uma atuação assustadoramente contida, ele entregou o melhor vilão da série, batendo de frente com Cruise em intensidade e elevando o nível dramático da saga de forma permanente.

Dinâmicas de equipe e a força do coletivo

Com o tempo, a franquia entendeu que Ethan Hunt brilha mais quando está bem acompanhado. Em Protocolo Fantasma (2011), o diretor Brad Bird — vindo das animações da Pixar — trouxe um frescor visual e um senso de humor essencial. O filme solidificou a equipe com Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhames) e novos aliados, mostrando que a química entre o elenco era o coração da história. Além das acrobacias no Burj Khalifa, o filme provou que a saga poderia ser divertida e tecnicamente impecável ao mesmo tempo, estabelecendo um padrão visual que definiria os anos seguintes.

A Era McQuarrie: Cinema de verdade contra a Inteligência Artificial

A parceria entre Tom Cruise e o diretor Christopher McQuarrie levou a franquia ao seu ápice técnico e narrativo. Em Rogue Nation (2015), fomos apresentados a Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), uma espiã britânica que se tornou a figura mais importante da saga depois do próprio Hunt. A relação entre os dois, pautada por uma conexão emocional profunda, trouxe uma nova camada de sofisticação.

Já em Acerto de Contas (2023), a série tomou um posicionamento ousado contra o uso de inteligência artificial, tanto na trama quanto nos bastidores. Enquanto Hollywood se apoia cada vez mais em efeitos digitais, Cruise continua arriscando a vida em acrobacias práticas, provando que nada substitui a audácia humana em prol do entretenimento.

O ápice: Um clássico moderno chamado Fallout

Se existe um filme que define o que o gênero de ação pode alcançar, este filme é Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018). É raro uma franquia atingir seu auge no sexto capítulo, mas Fallout conseguiu o impossível. Entre saltos HALO, perseguições frenéticas e um confronto final de helicópteros que causa vertigem real, o longa equilibra a vulnerabilidade de Cruise com uma ameaça física implacável, personificada por Henry Cavill. Mais do que uma sequência de cenas de impacto, o filme utiliza a bagagem emocional de todos os anos anteriores para entregar uma obra-prima que já nasceu clássica.

Diante de um oitavo filme que promete ser o desafio definitivo para Ethan Hunt, a única certeza é que a saga redefiniu os limites do cinema de ação, mantendo-se fiel à experiência da tela grande e ao compromisso de sempre entregar algo real ao espectador.